Uma abóbora de porte robusto e frutos com presença no horto — achatados, redondos e nervurados, com casca creme e polpa laranja viva.
Sobre a variedade. Variedade de crescimento vigoroso, com frutos de peso entre 2 e 4 kg. O amadurecimento é lento; é aconselhado aguardar até a casca mudar para castanho-ocre antes de colher. Os frutos podem continuar a amadurecer após a colheita. As flores são comestíveis e a planta atrai polinizadores.
Itinerário técnico
Como cultivar abóbora muscat de provence?
Um guia de cultivo passo a passo, da sementeira à colheita.
pH ideal 6,0 a 7,0Temperatura ideal 20 a 30 °CCompasso 50 cm na linha, 100 cm entre linhas
Sementeira
Semeia em vaso individual três semanas antes de plantar, a dois ou três centímetros e com a semente de lado, a 20 °C a 25 °C, ou directamente no local com duas ou três sementes por cova assim que o solo passe os 15 °C. Germina em cinco a dez dias. Transplanta com o torrão inteiro, porque a raiz é sensível. As primeiras flores são todas masculinas e não dão fruto; se mais tarde os frutos secarem ainda pequenos, falta polinização: poliniza à mão de manhã cedo com um pincel. Esta variedade produz guias longas: o compasso indicado é para plantas conduzidas em suporte ou com as guias contidas; deixada a correr pelo chão, ocupa dois a três metros.
Solo
Quer solo profundo, solto, muito rico em matéria orgânica e bem drenado, com pH entre 6,0 e 7,0. A prática clássica é abrir uma cova larga, encher a de composto maduro e plantar sobre esse ponto, o que dá à planta a reserva de que precisa. Roda de quatro em quatro anos com plantas de outras famílias.
Clima
Quer sol pleno, calor entre 20 °C e 30 °C e uma estação longa, de três a cinco meses até à maturação completa conforme a variedade. É muito sensível à geada em qualquer fase: planta só depois da última geada e cobre as plantas jovens com uma campânula nas noites frias. No interior de Portugal e Espanha o calor é o factor limitante e não o frio: nas semanas em que a temperatura passa dos 35 °C a planta pára de vingar e convém dar sombra ligeira a meio do dia. Em França o cultivo ao ar livre é seguro do centro para sul, enquanto no norte e na Alemanha compensa cultivar em estufa, túnel ou junto a um muro virado a sul, plantando só depois de passar o risco de geada tardia, que nessas regiões é por meados de Maio. Onde o Verão é curto, prefere sempre as variedades de ciclo mais curto e antecipa a sementeira em tabuleiro aquecido.
Fertilização
Incorpora dois a três quilos de composto bem curtido por metro quadrado antes de plantar e junta um punhado de cinza de madeira para reforçar o potássio. Depois do arranque, aplica adubo orgânico líquido a cada duas ou três semanas, passando de uma fórmula equilibrada para uma mais rica em potássio quando a planta entra em produção. Evita o excesso de azoto, que dá muita folha e pouca colheita e atrai afídeos.
Rega
Rega abundantemente durante o crescimento e o enchimento dos frutos, sempre ao pé da planta. Nas últimas duas a três semanas antes da colheita reduz muito a rega: isso concentra os açúcares e endurece a casca, que é o que garante a conservação durante o Inverno.
Controlo de Infestantes
O período crítico é o primeiro mês, antes de a folhagem cobrir o solo. Sacha à mão nessa fase e, quando as guias começarem a alastrar, deixa de mexer na terra: a partir daí a própria planta abafa as infestantes. Uma cobertura de palha por baixo da folhagem mantém os frutos limpos e secos e reduz muito as perdas por podridão de contacto com o solo.
Controlo de Pragas
As pragas principais são o afídeo, a aranha vermelha, os tripes e a mosca branca, e nas plantas jovens as lesmas e os caracóis, que podem cortar uma planta acabada de nascer numa noite. Protege as plântulas com uma garrafa cortada ou uma barreira de cinza nas primeiras semanas. Contra afídeos e mosca branca aplica sabão potássico ao fim da tarde; contra a aranha vermelha, que aparece no calor seco, molha a folha de manhã e usa óleo de neem.
Doenças
O oídio é praticamente inevitável e reconhece-se pelo pó branco na face superior da folha, sobretudo a partir de meados do Verão. Trava-se com bicarbonato de potássio ou enxofre aplicado aos primeiros sinais, folhas velhas retiradas e boa circulação de ar. O míldio das cucurbitáceas dá manchas amarelas angulosas limitadas pelas nervuras e prospera na humidade do litoral. A antracnose e a podridão do colo aparecem em solo encharcado. Faz rotação de quatro anos e retira todos os restos da cultura no fim da estação, porque é neles que os fungos passam o Inverno.
Colheita
Colhe quando o pedúnculo estiver seco e lenhoso, a casca não se marcar com a unha e a planta já tiver secado. Corta com dez centímetros de pedúnculo, porque uma abóbora sem pedúnculo apodrece pela coroa. Cura os frutos ao sol durante dez a catorze dias e guarda os depois num local seco e arejado entre 10 °C e 15 °C, sem se tocarem. Bem curada, conserva-se de quatro a nove meses. Conta cerca de 110 a 120 dias desde a sementeira até à primeira colheita desta variedade. A cor de referência é casca creme e polpa laranja, e é por ela que se avalia o ponto certo.