Um guia de cultivo passo a passo, da sementeira à colheita.
pH ideal 6,5 a 7,5Temperatura ideal 15 a 22 °CCompasso 10 a 15 cm na linha, 30 a 35 cm entre linhas
Sementeira
Semeia directamente a dois ou três centímetros, em linhas. Cada semente é um glomérulo com várias sementes dentro, por isso nascem sempre grupos de três ou quatro plantas e o desbaste é obrigatório: deixa uma a cada dez ou quinze centímetros. Não desbastar dá raízes pequenas e deformadas. Pôr a semente de molho durante doze horas melhora e uniformiza a germinação. Com cerca de 30 centímetros de altura, esta variedade cresce bem em vaso. Usa um recipiente com pelo menos vinte e cinco centímetros de profundidade e furos de drenagem, e conta com rega mais frequente, porque um vaso seca muito mais depressa do que o solo.
Solo
Quer solo solto, profundo e bem drenado, com pH entre 6,5 e 7,5, e não gosta de acidez. Sem estrume fresco. Um solo compactado dá raízes pequenas e retorcidas. Tolera alguma salinidade, o que a torna-adequada a hortas junto ao mar.
Clima
Cresce bem entre 15 °C e 22 °C e aguenta calor moderado e geada ligeira. Uma sementeira demasiado precoce, com frio prolongado abaixo de 10 °C, faz a planta espigar sem formar raiz, que é o erro clássico da Primavera. Adapta-se a quase toda a Europa ocidental. No litoral português e no sul de Espanha aproveita a Primavera e o Outono e evita o pico do Verão. No interior ibérico rega mais nos meses secos. Em França e na Alemanha a estação natural é a Primavera e o Verão, com sementeira a partir do momento em que o solo aquece de forma estável. Em Itália vale a mesma regra do resto do Mediterrâneo: Primavera e Outono no centro e no sul, Primavera e Verão no norte.
Fertilização
Não leva estrume fresco nem adubação azotada forte: isso dá raízes bifurcadas, pilosas e sem sabor. Usa um canteiro adubado com composto na cultura anterior e reforça apenas o potássio, com cinza de madeira peneirada, que melhora a doçura e a conservação.
Rega
Rega de forma regular e constante. A alternância entre seca e rega abundante racha as raízes e forma anéis brancos duros no interior. Um solo uniformemente húmido dá raízes tenras e doces.
Controlo de Infestantes
Sacha com frequência e sempre à superfície, porque as raízes são curtas e superficiais e partem com facilidade. O melhor método é preparar o canteiro com duas ou três semanas de antecedência, deixar germinar a primeira leva de infestantes, eliminá-la e só depois semear: ganha-se um avanço decisivo. Uma cobertura fina de composto peneirado entre as linhas reduz muito o trabalho seguinte.
Controlo de Pragas
As lesmas e os caracóis são o inimigo número um desta cultura e comem uma sementeira inteira numa noite húmida. Usa barreiras de cinza, casca de ovo ou serradura à volta do canteiro, apanha-os à noite com lanterna e recorre a fosfato férrico se necessário. Os afídeos instalam-se no coração da planta e são difíceis de lavar depois: aplica sabão potássico ao primeiro sinal e favorece joaninhas e sirfídeos com faixas de flores. A mosca mineira desenha galerias claras na folha, que se removem à mão. Os tripes e a altica atacam sobretudo em tempo seco e quente.
Doenças
A cercosporiose faz manchas redondas de bordo escuro nas folhas em tempo quente e húmido. A rizoctónia apodrece a raiz em solo encharcado. A carência de boro, comum em solos calcários e arenosos, dá um coração negro no interior da raiz: previne-se com composto e algas. Faz rotação de três anos com acelga e espinafre.
Colheita
Colhe quando a raiz tiver entre cinco e oito centímetros de diâmetro: nesse ponto é tenra e doce. Passado esse tamanho fica fibrosa e lenhosa. Torce as folhas em vez de as cortar rente, porque um corte na coroa faz a raiz sangrar e perder cor ao cozinhar. As folhas jovens comem-se como acelga e são excelentes. A cor de referência é casca laranja e polpa amarela com anéis brancos, e é por ela que se avalia o ponto certo.