Uma planta de tripla vocação: beleza selvagem no jardim, aliada fiel dos polinizadores e ingrediente versátil na cozinha.
Sobre a variedade. A Chicória brava é uma perene vigorosa de flores azuis brilhantes que florescem durante um longo período, atraindo abundantes insectos polinizadores. Atinge 100–120 cm de altura. As folhas são usadas em saladas, as flores são comestíveis e a raiz, uma vez torrada, é um clássico substituto do café.
Itinerário técnico
Como cultivar chicória brava?
Um guia de cultivo passo a passo, da sementeira à colheita.
pH ideal 6,0 a 7,5Temperatura ideal 15 a 22 °CCompasso 25 a 30 cm na linha, 25 cm entre linhas
Sementeira
Semeia directamente a meio centímetro ou um centímetro, em linhas, na Primavera ou no fim do Verão, e desbasta para vinte e cinco ou trinta centímetros. Germina em cinco a dez dias. Também podes semear em tabuleiro e transplantar às quatro semanas, mas faz-o cedo: a raiz pivotante forma-se depressa e uma planta que ficou tempo demais no alvéolo nunca se instala bem. A planta faz uma roseta de folhas no primeiro ano e só floresce a sério a partir do segundo, por isso não te impacientes com uma sementeira que parece parada no Outono. Uma vez instalada, semeia-se a si própria com facilidade: corta as hastes secas se não quiseres que se espalhe.
Solo
Quer solo profundo, solto e bem drenado, com pH entre 6,0 e 7,5, e aceita terreno calcário e pobre. Tem raiz pivotante longa e agradece um solo trabalhado a fundo, sem pedras grandes nem camada compacta. Não é exigente em fertilidade: em solo muito rico dá folha em excesso e menos flor. Evita zonas onde a água fica parada no Inverno, porque a raiz apodrece.
Clima
É uma planta rústica de toda a Europa, que cresce entre 10 °C e 25 °C e resiste a geadas fortes sem protecção. A roseta aguenta o Inverno no solo e rebenta na Primavera; as hastes floridas, com um metro ou mais, abrem as flores azuis de Julho a Setembro, cada uma só de manhã e fechando ao meio-dia. Precisa de sol pleno para florir bem: à sombra estica e dá poucas flores. Em Portugal e Espanha cresce em bermas e baldios sem qualquer rega, por isso na horta pede apenas um lugar soalheiro e seco. No litoral atlântico floresce durante mais tempo, porque o Verão é menos duro; no interior a floração concentra-se em Julho e Agosto e a planta seca depois, para rebentar com as chuvas de Outono. Em França, na Alemanha e no norte de Itália é igualmente espontânea e não precisa de cuidados especiais no Inverno.
Fertilização
Tem necessidades muito baixas e floresce melhor em solo pobre. Um pouco de composto maduro incorporado antes da sementeira chega para todo o primeiro ano, e a partir daí não precisa de nada. Não uses estrume fresco nem adubos azotados: dão uma roseta enorme de folha, hastes moles que tombam e poucas flores. Se a planta amarelecer em solo muito pobre, uma rega com adubo orgânico líquido na Primavera é suficiente.
Rega
Rega apenas até a planta se instalar, nas primeiras seis a oito semanas. Depois a raiz pivotante vai buscar água ao fundo e a planta aguenta o Verão ibérico sem rega. Regar em excesso dá folha mole e apodrece a raiz no Inverno. Para folha tenra de salada, uma rega semanal em tempo seco basta.
Controlo de Infestantes
Sacha com frequência e sempre à superfície nas primeiras semanas, quando a roseta ainda é pequena e perde a disputa por luz. Não caves fundo: a raiz principal é pivotante, mas as raízes finas correm perto da superfície e partem com facilidade. A partir do segundo ano a roseta larga abafa quase tudo à sua volta e o trabalho acaba. Preparar o canteiro com duas ou três semanas de antecedência, deixar germinar a primeira leva de infestantes e eliminá-la antes de semear poupa muito trabalho no arranque.
Controlo de Pragas
É uma planta silvestre e sofre pouco com pragas. As lesmas e os caracóis comem as plântulas e a folha nova da roseta em tempo húmido: apanha-os à noite e usa uma barreira de cinza nas primeiras semanas. Os afídeos instalam-se nas pontas das hastes floridas na Primavera e tratam-se com sabão potássico, mas em geral as joaninhas resolvem sozinhas. A mosca mineira desenha galerias na folha, que se removem à mão. Não é preciso rede nem tratamentos preventivos: as flores atraem abelhas, sirfídeos e outros auxiliares, e é precisamente por isso que vale a pena tê-la na horta.
Doenças
Muito resistente: em solo drenado quase não adoece. O oídio pode cobrir as folhas de baixo de um pó branco no fim do Verão, quando a planta já está em flor, e não vale a pena tratar: retira as folhas afectadas e corta as hastes depois da floração. Em Invernos muito molhados a roseta pode apodrecer pelo colo, sobretudo em solo pesado ou em plantas apertadas: espaça bem, planta com o colo à superfície e garante drenagem. A podridão da raiz em solo encharcado não tem tratamento e é a única causa real de perda da planta.
Colheita
O que se colhe são sobretudo as flores: corta as hastes de manhã, quando as flores acabam de abrir, porque fecham ao meio-dia e duram pouco em jarra. As flores são comestíveis e decoram saladas; colhe-as no próprio dia. As folhas novas da roseta, na Primavera e no Outono, comem-se em salada ou cozinhadas e são amargas por natureza: quanto mais pequenas, mais suaves. Deixa algumas hastes secar na planta se quiseres semente para o ano seguinte, e corta o resto rente ao solo depois da floração para a roseta rebentar de novo. A cor de referência é azul, e é por ela que se avalia o ponto certo.