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Pisum sativum
Ervilha-torta de trepar com vagens tenras e sem fio de até 12 cm. Germina em 7–14 dias a 10–18 °C; a semente é sensível ao excesso e falta de água. Variedade tradicional francesa que cresce até 150 cm e precisa de tutoragem sólida.
Um guia de cultivo passo a passo, da sementeira à colheita.
Sementeira
Semeia directamente a três ou cinco centímetros, em linhas duplas para facilitar o tutoramento. Germina em sete a catorze dias em solo fresco. É uma cultura de Inverno e Primavera precoce no Sul e de Primavera no Norte da Europa. Não transplantes. Coloca o suporte no momento da sementeira, porque instalá-lo depois danifica as raízes. Esta variedade é de trepar e precisa de um suporte de um metro e meio, colocado antes ou no momento da sementeira, porque instalá-lo depois danifica as raízes. Produz durante muito mais tempo do que as variedades anãs e rende muito mais por metro quadrado, mas exige condução regular das guias para o suporte nas primeiras semanas.
Solo
Quer solo bem drenado, fresco e não ácido, com pH entre 6,0 e 7,5. Um solo encharcado apodrece a semente. Não leva adubo azotado. É uma boa cabeça de rotação, porque deixa azoto no solo para a cultura seguinte.
Clima
É uma cultura de tempo fresco, ideal entre 13 °C e 18 °C, e aguenta geadas ligeiras. Acima de 25 °C as flores caem, a planta apanha oídio e a colheita acaba de forma abrupta. Semear tarde de mais na Primavera é o erro típico: a cultura apanha o calor precisamente na floração. No litoral português os Invernos amenos permitem semear do Outono ao fim do Inverno, e a cultura completa o ciclo antes de chegar o calor forte. No interior de Portugal e Espanha concentra a cultura no Outono, Inverno e princípio da Primavera, para que a floração fique feita antes das primeiras vagas de calor. Em França e na Alemanha é uma cultura de Primavera: semeia-se do fim do Inverno a meio da Primavera, assim que o solo se deixa trabalhar, e colhe-se no Verão. Em Itália segue o calendário ibérico no centro e no sul e o francês no norte, para a floração escapar ao calor do vale do Pó.
Fertilização
Fixa o seu próprio azoto através das bactérias do nódulo radicular, por isso não deve levar adubo azotado. Incorpora apenas composto maduro se o solo for pobre e, se precisar, um pouco de cinza de madeira pelo potássio. Adubar com azoto é o erro clássico nesta cultura: dá plantas enormes com poucas vagens.
Rega
Rega moderadamente até à floração e reforça a partir daí, porque é o enchimento das vagens que decide a colheita. Rega ao pé da planta, nunca sobre a folhagem, para não favorecer o oídio. Uma cobertura de palha entre as linhas mantém a raiz fresca e atrasa o oídio.
Controlo de Infestantes
Sacha com frequência e sempre à superfície, porque as raízes são curtas e superficiais e partem com facilidade. O melhor método é preparar o canteiro com duas ou três semanas de antecedência, deixar germinar a primeira leva de infestantes, eliminá-la e só depois semear: ganha-se um avanço decisivo. Uma cobertura fina de composto peneirado entre as linhas reduz muito o trabalho seguinte.
Controlo de Pragas
Os afídeos concentram-se nos rebentos tenros e nas pontas em floração e enfraquecem muito a planta: corta as pontas atacadas e aplica sabão potássico ao fim do dia. Os caracóis e as lesmas devoram as plântulas acabadas de nascer, o que é a principal causa de falhas na linha: protege com uma barreira de cinza durante as duas primeiras semanas. Os pássaros arrancam as sementes e os rebentos e resolvem-se com uma rede ou um véu leve sobre a linha até a planta ter dez centímetros. Vigia também os tripes e as larvas que perfuram as vagens e retira as vagens picadas.
Doenças
O oídio é praticamente inevitável no fim do ciclo, quando o tempo aquece: cobre as folhas de um pó branco e seca a planta. Semear cedo é a melhor prevenção, e o bicarbonato de potássio trava a evolução. O míldio e a antracnose aparecem em tempo húmido, e a podridão da raiz em solo frio e encharcado. Faz rotação de quatro anos com outras leguminosas.
Colheita
Colhe de dois em dois dias assim que as vagens começarem a encher. As ervilhas de debulhar apanham-se quando os grãos já se notam mas a vagem ainda está verde brilhante e macia; uma vagem baça e enrugada já tem grãos farinhentos. As de vagem comestível colhem-se planas, antes de os grãos engrossarem. Colher com frequência prolonga muito a produção. A cor de referência é verde, e é por ela que se avalia o ponto certo.