As flores azul-arroxeadas da facélia, reunidas em delicados cachos enrolados, são um íman irresistível para abelhas e outros polinizadores — e uma adição encantadora a qualquer canteiro ornamental.
Sobre a variedade. Anual vigorosa que atinge 50–100 cm de altura. Produz néctar em quantidade excecional, sendo considerada uma das melhores plantas melíferas. As flores são comestíveis. Adapta-se muito bem a solos pobres e locais ensolarados. Adequada para vaso.
Itinerário técnico
Como cultivar facélia?
Um guia de cultivo passo a passo, da sementeira à colheita.
pH ideal 6,0 a 7,5Temperatura ideal 10 a 25 °CCompasso Semeia a lanço, sem linhas. Cerca de 2 a 3 g por metro quadrado
Sementeira
Semeia a lanço sobre solo trabalhado e passa levemente o ancinho para cobrir a semente com dois ou três centímetros de terra. Densidade generosa, porque o objectivo é cobrir o solo por completo e não deixar espaço para infestantes. Semeia no fim do Verão ou no Outono para cobrir o Inverno, ou na Primavera para uma cobertura curta entre culturas. Rega depois de semear se o solo estiver seco.
Solo
Cresce em qualquer solo, incluindo pobre e compactado, que é justamente onde faz mais falta, com pH entre 6,0 e 7,5. Não precisa de qualquer adubação: o seu papel é melhorar o solo, estruturando a terra com as raízes, recuperando nutrientes que de outro modo se perderiam em profundidade e protegendo a superfície da chuva e do sol.
Clima
Muito rústico e adaptável, entre 10 °C e 25 °C. No Sul da Europa a janela útil é o Outono e o Inverno, quando há chuva e o solo ficaria de outro modo nu. Em França e na Alemanha semeia-se do fim do Verão ao princípio do Outono, para o coberto se instalar antes do frio. Semeia com o solo ainda morno, para a cultura cobrir a terra em três a quatro semanas: uma sementeira tardia, com o frio já instalado, fica rala e não cumpre o papel. Em Itália aplica-se o mesmo calendário: as condições do centro e do sul aproximam-se das do sul de Portugal e de Espanha, e as do norte das do centro de França. Na Primavera, semeia assim que a terra se deixar trabalhar e corta antes do calor de Junho, porque depois a matéria fica lenhosa e a planta vai a semente.
Fertilização
Não é leguminosa: não fixa azoto e, ao contrário das ervilhacas e dos trevos, não enriquece o solo em azoto por si. O que faz é apanhar o azoto e o fósforo que já lá estão, guardá-los na matéria verde e devolvê-los à cultura seguinte quando a incorporas, em vez de os deixar lavar com as chuvas de Inverno. Semeia-a de preferência depois de uma cultura exigente, que deixa restos de adubação no solo. Não precisa de qualquer adubo.
Rega
Rega apenas para garantir a germinação. Depois de instalado, dispensa rega em quase todas as situações e vive da chuva. Um adubo verde regado em excesso perde grande parte do seu interesse.
Controlo de Infestantes
Semeada densa, a própria cultura cobre o solo e limita muito as infestantes. O trabalho concentra-se nas duas ou três primeiras semanas: sacha à mão ou passa a enxada de forma muito superficial entre as plantas. Evita mexer na terra depois de a folhagem fechar, para não danificar raízes nem trazer novas sementes de infestantes à superfície.
Controlo de Pragas
Praticamente não tem pragas relevantes e, pelo contrário, abriga auxiliares e polinizadores durante a estação morta. Vigia apenas as lesmas na fase de plântula e os pássaros, que comem a semente à superfície: cobre bem a semente ao semear. Os coelhos e os pombos apreciam as plântulas tenras: numa horta pequena, uma rede leve nas primeiras três semanas evita perder a sementeira. Os afídeos podem aparecer na floração em anos secos, mas raramente justificam tratamento: as joaninhas resolvem.
Doenças
Não costuma ter problemas de doença. A precaução importante é de rotação: escolhe uma espécie que não pertença à família da cultura que vem a seguir nem da que acabou de sair, para não multiplicar doenças do solo. Depois de crucíferas, por exemplo, evita mostarda e nabo forrageiro. Em sementeiras muito densas e Invernos chuvosos pode aparecer podridão do colo: não regues e não semeies mais denso do que o indicado.
Colheita
Deixa-a florir: a facélia é das melhores plantas melíferas que existem, e a floração dura quatro a seis semanas, com as abelhas em cima dela de manhã à noite. Corta algumas hastes para vaso quando as primeiras flores da espiral abrirem, e retira as murchas se quiseres prolongar a floração. Se a usares como adubo verde, corta e incorpora no início da floração, antes de a semente formar, porque se ressemeia com facilidade. Conta cerca de 65 a 85 dias desde a sementeira até à floração desta variedade. A cor de referência é azul arroxeado, e é por ela que se avalia o ponto certo.