Um guia de cultivo passo a passo, da sementeira à colheita.
pH ideal 6,5 a 7,5Temperatura ideal 10 a 20 °CCompasso 15 cm na linha, 50 a 60 cm entre linhas
Sementeira
Semeia directamente a cinco ou seis centímetros de profundidade, em linhas. Germina em dez a quinze dias. No Sul da Europa semeia-se no Outono, para colher no fim do Inverno e na Primavera; no Norte, no fim do Inverno ou em Fevereiro e Março. A sementeira de Outono dá plantas mais robustas e escapa ao pico dos afídeos.
Solo
Adapta-se a quase todos os solos, incluindo pesados, desde que não fiquem encharcados, com pH entre 6,5 e 7,5. Não leva adubo azotado. Deixa o solo estruturado e enriquecido, sendo uma das melhores culturas para abrir uma rotação.
Clima
É resistente ao frio e aguenta geadas de vários graus negativos, sobretudo quando semeada no Outono e já bem enraizada. Cresce entre 10 °C e 20 °C. O calor acima de 25 °C interrompe a floração e traz afídeos e ferrugem em força. Aguenta bem o frio e a geada ligeira melhora até o sabor, pelo que é uma cultura de Outono e Inverno no sul da Europa. No litoral português desenvolve-se sem problemas todo o Inverno. No interior de Portugal e Espanha as geadas nocturnas não a prejudicam, mas o Verão é demasiado quente e seco para ela. Em França e na Alemanha é uma cultura de Verão e Outono, e em Inverno frio um véu de forçagem ou um túnel baixo mantêm a folha em bom estado até bem dentro da estação fria. Em Itália é cultura de Outono e Inverno no centro e no sul, como em Portugal, e de Primavera e Outono no norte, onde o Inverno do vale do Pó é demasiado duro para a deixar ao ar livre sem protecção.
Fertilização
Fixa o seu próprio azoto através das bactérias do nódulo radicular, por isso não deve levar adubo azotado. Incorpora apenas composto maduro se o solo for pobre e, se precisar, um pouco de cinza de madeira pelo potássio. Adubar com azoto é o erro clássico nesta cultura: dá plantas enormes com poucas vagens.
Rega
Precisa de pouca água no Inverno, e no Sul a chuva costuma bastar. Reforça a rega na floração e no enchimento das vagens, que é quando a falta de água reduz mais a colheita.
Controlo de Infestantes
Sacha com frequência e sempre à superfície, porque as raízes são curtas e superficiais e partem com facilidade. O melhor método é preparar o canteiro com duas ou três semanas de antecedência, deixar germinar a primeira leva de infestantes, eliminá-la e só depois semear: ganha-se um avanço decisivo. Uma cobertura fina de composto peneirado entre as linhas reduz muito o trabalho seguinte.
Controlo de Pragas
O afídeo negro da fava cobre as pontas em massa na Primavera e é a praga decisiva. A solução tradicional e eficaz é despontar a planta, cortando os quinze centímetros superiores assim que as primeiras vagens vingam: elimina-se o tecido mais tenro, onde o afídeo se concentra, e a energia vai para as vagens. Complementa com sabão potássico. Os gorgulhos abrem furos redondos nos grãos secos: guarda a semente no congelador durante quarenta e oito horas.
Doenças
A mancha de chocolate cobre as folhas de manchas castanhas arredondadas em Invernos húmidos e é a doença mais frequente: espaça bem, evita excesso de azoto e não sementeies demasiado denso. A ferrugem aparece no fim do ciclo com pústulas alaranjadas. Faz rotação de quatro anos com outras leguminosas.
Colheita
Para consumo em fresco, colhe quando os grãos estiverem formados mas a vagem ainda verde e a cicatriz do grão branca e não preta: a partir daí a fava fica farinhenta e a pele dura. As vagens muito jovens comem-se inteiras. Para grão seco, deixa secar completamente na planta e debulha em tempo seco. Corta a planta e deixa as raízes no solo, pelo azoto. A cor de referência é verde claro, e é por ela que se avalia o ponto certo.