Um guia de cultivo passo a passo, da sementeira à colheita.
pH ideal 6,0 a 7,0Temperatura ideal 18 a 27 °CCompasso 10 a 15 cm na linha, 40 a 60 cm entre linhas
Sementeira
Semeia sempre directamente no local definitivo, a três ou quatro centímetros, com o solo já acima de 15 °C. Germina em cinco a dez dias. Semear em solo frio e húmido faz apodrecer a semente antes de nascer, e é o erro que mais falha esta cultura. Não ponhas as sementes de molho, ao contrário do que se diz muitas vezes: incham e partem-se. Semeia de três em três semanas até meados do Verão para colher em continuidade. Esta variedade é de porte anão e não precisa de suporte, o que a torna prática em canteiro pequeno e em vaso. Concentra a produção num período curto, de duas a três semanas, por isso convém escalonar sementeiras de três em três semanas para colher de forma contínua.
Solo
Adapta-se a solos medianos desde que sejam soltos, bem drenados e não demasiado ricos em azoto, com pH entre 6,0 e 7,0. Fixa o seu próprio azoto e deixa o solo enriquecido para a cultura seguinte, por isso é uma excelente cabeça de rotação. Não gosta de solos compactados nem encharcados.
Clima
Precisa de calor, entre 18 °C e 27 °C, e não tolera geada em fase nenhuma. Acima de 32 °C as flores caem e não vingam, o que provoca uma pausa de produção no auge do Verão interior. Protege do vento forte, que parte as plantas carregadas. No litoral português a cultura arranca mais devagar porque as noites são frescas e o nevoeiro matinal prolonga a humidade nas folhas, por isso escolhe o ponto mais soalheiro e abrigado do vento e afasta bem as plantas para o ar circular. No interior de Portugal e Espanha o calor é o factor limitante e não o frio: nas semanas em que a temperatura passa dos 35 °C a planta pára de vingar e convém dar sombra ligeira a meio do dia. Em França o cultivo ao ar livre é seguro do centro para sul, enquanto no norte e na Alemanha compensa cultivar em estufa, túnel ou junto a um muro virado a sul, plantando só depois de passar o risco de geada tardia, que nessas regiões é por meados de Maio. Onde o Verão é curto, prefere sempre as variedades de ciclo mais curto e antecipa a sementeira em tabuleiro aquecido. Em Itália é cultura fácil: no centro e no sul planta-se a partir de Abril e o único cuidado real é uma sombra ligeira no calor de Julho e Agosto; no vale do Pó e no norte espera pelo fim das geadas tardias e escolhe o ponto mais soalheiro.
Fertilização
Fixa o seu próprio azoto através das bactérias do nódulo radicular, por isso não deve levar adubo azotado. Incorpora apenas composto maduro se o solo for pobre e, se precisar, um pouco de cinza de madeira pelo potássio. Adubar com azoto é o erro clássico nesta cultura: dá plantas enormes com poucas vagens.
Rega
Rega moderadamente até à floração e depois de forma abundante e regular, porque é a floração e o enchimento das vagens que determinam a colheita. Rega sempre ao pé da planta e de manhã: a folhagem molhada é a porta de entrada da antracnose e da bacteriose. Uma cobertura de palha mantém a humidade sem molhar a folha.
Controlo de Infestantes
Sacha com frequência e sempre à superfície, porque as raízes são curtas e superficiais e partem com facilidade. O melhor método é preparar o canteiro com duas ou três semanas de antecedência, deixar germinar a primeira leva de infestantes, eliminá-la e só depois semear: ganha-se um avanço decisivo. Uma cobertura fina de composto peneirado entre as linhas reduz muito o trabalho seguinte.
Controlo de Pragas
Os afídeos concentram-se nos rebentos tenros e nas pontas em floração e enfraquecem muito a planta: corta as pontas atacadas e aplica sabão potássico ao fim do dia. Os caracóis e as lesmas devoram as plântulas acabadas de nascer, o que é a principal causa de falhas na linha: protege com uma barreira de cinza durante as duas primeiras semanas. Os pássaros arrancam as sementes e os rebentos e resolvem-se com uma rede ou um véu leve sobre a linha até a planta ter dez centímetros. Vigia também os tripes e as larvas que perfuram as vagens e retira as vagens picadas.
Doenças
A antracnose e a bacteriose fazem manchas escuras e deprimidas nas vagens e nas folhas em tempo húmido, e transmitem-se pela água e pelo contacto: nunca trabalhes entre as plantas com a folhagem molhada. O oídio cobre as folhas de um pó branco no fim do ciclo. A ferrugem forma pústulas alaranjadas na face inferior. A podridão da raiz aparece em solo encharcado e frio, sobretudo em sementeiras demasiado precoces. Semeia com espaçamento generoso, rega ao pé da planta e faz rotação de três a quatro anos com outras leguminosas.
Colheita
Para vagem verde, colhe jovem e a cada dois dias, quando a vagem parte com um estalo limpo e as sementes ainda mal se notam. Deixar as vagens engrossar faz a planta parar de produzir, e é aí que se perde a maior parte da colheita. Segura o ramo com uma mão e puxa a vagem com a outra, para não partir a planta. Para grão seco, deixa as vagens secar completamente na planta e debulha em tempo seco. A cor de referência é verde, e é por ela que se avalia o ponto certo.