Um arbusto robusto e generoso, capaz de atingir os 180 cm e encher o jardim de lanternas douradas do outono.
Sobre a variedade. A fisális produz frutos pequenos e redondos de cor amarelo-alaranjada intensa, cada um encerrado na sua cápsula decorativa. Sensível a geadas, prefere locais abrigados e bem soalheiros.
Itinerário técnico
Como cultivar fisális?
Um guia de cultivo passo a passo, da sementeira à colheita.
pH ideal 5,5 a 7,0Temperatura ideal 20 a 28 °CCompasso 50 cm na linha, 70 cm entre linhas
Sementeira
Semeia em tabuleiro oito a dez semanas antes da plantação, a meio centímetro, a 20 °C a 25 °C. A germinação é irregular e pode levar duas a três semanas, por isso não desistas cedo. Repica para vaso individual e planta fora depois das últimas geadas. É perene em clima ameno e pode passar o Inverno abrigada no litoral português. Esta variedade atinge 180 centímetros ou mais de altura, por isso escolhe um local abrigado e coloca o tutor no momento da plantação: instalar um suporte numa planta já crescida parte raízes e ramos.
Solo
Adapta-se a solos pobres e bem drenados, com pH entre 5,5 e 7,0. Um solo demasiado rico em azoto dá um arbusto enorme com poucos frutos, que é o erro mais frequente com esta espécie. Em solo pesado, planta em camalhão ou canteiro elevado, porque a raiz não tolera água parada.
Clima
Precisa de sol pleno e de uma estação longa e quente, entre 20 °C e 28 °C, para amadurecer os frutos. Onde o Verão é curto, semeia muito cedo e cultiva em estufa ou junto a um muro quente, ou o fruto não chega a amadurecer. No litoral atlântico, com noites frescas e nevoeiro matinal, escolhe o ponto mais soalheiro e abrigado do vento e afasta bem as plantas para o ar circular. No interior ibérico o calor é o factor limitante: nas semanas acima de 35 °C a planta pára de vingar e convém dar sombra ligeira a meio do dia. No norte de França e na Alemanha compensa cultivar em estufa, túnel ou junto a um muro virado a sul, plantando só depois de meados de Maio. Sem geada a planta sobrevive ao Inverno e produz mais cedo e mais no segundo ano; com geada trata-a como anual.
Fertilização
Tem necessidades moderadas. Um a dois quilos de composto maduro por metro quadrado incorporados antes da sementeira cobrem quase todo o ciclo. Se a folha empalidecer, uma rega com adubo orgânico líquido equilibrado a meio do ciclo é suficiente. Não uses estrume fresco, que queima as raízes e favorece doenças.
Rega
Rega moderada. Aguenta bem períodos secos depois de instalada, mas a irregularidade forte durante o enchimento faz cair os frutos. Não encharques nunca: a raiz apodrece com facilidade.
Controlo de Infestantes
Sacha à mão nas primeiras semanas, quando a planta ainda é pequena e perde qualquer disputa por luz e água. Depois de instalada, cobre o solo com uma camada de cinco a sete centímetros de palha, relva seca ou folhas: trava as infestantes, mantém a humidade e evita que a chuva salpique terra para as folhas de baixo, que é como começa a maioria das doenças. Sacha sempre superficialmente para não cortar as raízes que correm à flor da terra.
Controlo de Pragas
Poucas pragas a incomodam. Vigia afídeos nos rebentos tenros e mosca branca em estufa, e trata com sabão potássico. Os caracóis e lesmas atacam as plantas jovens: usa uma barreira de cinza ou fosfato férrico. Os frutos caídos atraem lesmas e vespas: apanha-os todos os dias e mantém a palha seca à volta da planta. As lagartas noctuídeas cortam plantas jovens ao nível do solo: um colar de cartão à volta do caule resolve.
Doenças
É rústica e sofre poucas doenças. O principal risco é a podridão da raiz em solo pesado e encharcado, e o oídio em ambiente fechado. Planta em canteiro elevado onde o solo seja pesado e garante circulação de ar. Não repitas fisális, tomate ou pimento no mesmo sítio antes de três anos, para evitar os fungos do solo. Retira as folhas baixas que tocam o solo para o ar circular e reduzir os salpicos de terra.
Colheita
O fruto colhe-se sozinho: quando está maduro, o invólucro fica cor de palha e a baga cai ao chão. Apanha do chão todos os dias, porque é aí que está o ponto óptimo de doçura. Colhido com o invólucro intacto, conserva-se dois a três meses em local fresco e seco. Se a geada ameaçar antes do fim, arranca a planta inteira e pendura-a num local seco: os frutos acabam de amadurecer dentro do invólucro. A cor de referência é amarelo alaranjado, e é por ela que se avalia o ponto certo.