Um guia de cultivo passo a passo, da sementeira à colheita.
pH ideal 6,0 a 7,0Temperatura ideal 10 a 20 °CCompasso 10 a 15 cm na linha, 20 cm entre linhas
Sementeira
Semeia sempre directamente no local definitivo, a um ou dois centímetros, em linhas, porque o transplante deforma a raiz. Germina em quatro a sete dias. Desbasta cedo, aos dez a quinze centímetros entre plantas, quando as plântulas tiverem duas folhas verdadeiras. Não desbastar é a razão número um para colher nabos do tamanho de um dedo.
Solo
Quer solo solto, profundo, sem pedras e sem estrume fresco, com pH entre 6,0 e 7,0. Um solo compactado ou com torrões dá raízes bifurcadas e deformadas. Trabalha a terra a vinte e cinco centímetros e desfaz bem os torrões antes de semear. Roda com culturas fora da família das crucíferas.
Clima
É uma cultura de tempo fresco, ideal entre 10 °C e 20 °C, e a raiz fica mais doce depois de apanhar frio. O calor forte torna-a raiz picante, fibrosa e oca por dentro. Esta é uma cultura de tempo fresco e o calor é o seu maior inimigo. No litoral português encontra as condições quase ideais e pode ser cultivada durante grande parte do ano. No interior de Portugal e Espanha concentra a cultura no Outono, Inverno e princípio da Primavera, porque a partir de Junho o calor e o dia longo fazem a planta espigar e amargar. Em França cultiva-se com facilidade da Primavera ao Outono, e na Alemanha aproveita todo o Verão, que raramente é quente demais. Em Itália segue o calendário ibérico no centro e no sul, concentrando a cultura no Outono e no Inverno, e o calendário francês no norte, onde o Verão do vale do Pó raramente a faz espigar cedo demais. Uma sombra ligeira nas horas centrais do dia prolonga a colheita em qualquer clima quente.
Fertilização
Não leva estrume fresco nem adubação azotada forte: isso dá raízes bifurcadas, pilosas e sem sabor. Usa um canteiro adubado com composto na cultura anterior e reforça apenas o potássio, com cinza de madeira peneirada, que melhora a doçura e a conservação.
Rega
Rega regularmente e sem interrupções. A alternância de seca e rega abundante racha as raízes e torna-as fibrosas e picantes. Um solo constantemente fresco dá raízes tenras e doces.
Controlo de Infestantes
A cultura germina devagar e é totalmente dominada pelas infestantes nas primeiras semanas, o que é a causa número um de falhanço. Prepara o canteiro com antecedência, elimina a primeira leva de infestantes antes de semear e marca a linha com rabanete, que germina em poucos dias e mostra onde sachar. Sacha superficialmente entre linhas e nunca amontoes terra sobre a coroa.
Controlo de Pragas
As pragas desta família são muitas e vale a pena preveni-las em vez de as combater. A altica, um pequeno escaravelho saltador, crava a folha nova de furos redondos em tempo quente e seco: mantém o solo húmido e cobre com rede fina desde a sementeira. A lagarta da couve e a traça das crucíferas comem a folha por dentro: aplica Bacillus thuringiensis nas lagartas pequenas e inspecciona a face inferior da folha todas as semanas. A mosca da couve põe ovos junto ao colo e a larva destrói a raiz: um colar de cartão ou feltro à volta do caule impede a postura. O afídeo cinzento da couve forma colónias cerosas nos rebentos e combate-se com sabão potássico. Uma rede anti-insecto de malha fina colocada logo à plantação resolve praticamente todos estes problemas de uma só vez.
Doenças
A hérnia das crucíferas é a doença mais grave: deforma a raiz, a planta murcha e o fungo persiste no solo durante quase vinte anos. Previne-se com rotação de quatro a cinco anos, boa drenagem e um solo que nunca seja ácido: se o pH descer abaixo de 6,0, corrige com calcário até ao topo do intervalo indicado para esta cultura. A alternariose faz manchas concêntricas escuras nas folhas e o míldio um pó branco acinzentado na face inferior, ambos favorecidos pela humidade: espaça bem as plantas e rega ao pé. A podridão negra entra pelos bordos da folha em forma de V amarelo e transmite-se pela semente e pela água de rega. Retira todos os restos da cultura no fim e não os deixes no compostor.
Colheita
Colhe jovem, quando a raiz tiver cinco a oito centímetros de diâmetro: é aí que está o sabor. Passado esse ponto fica fibrosa, oca e picante. Arranca puxando pelas folhas depois de regar, com a terra húmida. As folhas jovens, as nabiças, também se comem e são excelentes. Conta cerca de 60 a 70 dias desde a sementeira até à primeira colheita desta variedade. A cor de referência é amarelo, e é por ela que se avalia o ponto certo.