Uma rúcula com carácter — folhas firmes, sabor intenso e aromático que supera em força a rúcula cultivada comum.
Sobre a variedade. A Rúcula Selvática cresce em rosetas compactas com folhas estreitas e serrilhadas, de um verde vivo e sabor pronunciado. Planta perene de baixo porte, com cerca de 15 cm de altura.
Itinerário técnico
Como cultivar rúcula selvática?
Um guia de cultivo passo a passo, da sementeira à colheita.
pH ideal 6,0 a 7,0Temperatura ideal 10 a 20 °CCompasso 1 cm na linha, 15 cm entre linhas
Sementeira
Semeia directamente à superfície ou a meio centímetro, em linhas ou a lanço, e desbasta ligeiramente se quiseres plantas maiores. Ao contrário da rúcula comum, a semente é muito fina e germina devagar, em uma a duas semanas, e a planta demora seis a oito semanas até ao primeiro corte. Não precisa de sementeiras repetidas: é perene e a mesma planta dá folha durante um ano ou mais, por isso uma sementeira de Primavera ou de Setembro chega. Cobre com rede fina desde o primeiro dia, porque a altica ataca as plântulas mal nascem. Com cerca de 15 centímetros de altura, esta variedade cresce bem num vaso com vinte centímetros de fundo e furos de drenagem.
Solo
Não é exigente e cresce em qualquer solo razoável, com pH entre 6,0 e 7,0, desde que fresco e com alguma matéria orgânica. É crucífera e deve entrar na rotação das couves, o que muita gente esquece. Em solo pobre e seco a folha sai pequena e agressivamente picante: um pouco de composto antes de semear e rega regular resolvem.
Clima
Cultura de tempo fresco, entre 10 °C e 20 °C. No calor e com dias longos espiga em poucos dias e a folha fica muito picante e áspera. É no Outono, no Inverno ameno e no início da Primavera que dá o seu melhor sabor. É perene e aguenta geadas ligeiras: a mesma planta rebenta depois de cada corte e dá folha durante um ano ou mais, com uma pausa no pico do Verão. No litoral português encontra as condições quase ideais e pode ser cultivada durante grande parte do ano. No interior de Portugal e Espanha concentra a cultura no Outono, Inverno e princípio da Primavera, porque a partir de Junho o calor e o dia longo fazem a planta espigar e amargar. Em França cultiva-se com facilidade da Primavera ao Outono, e na Alemanha aproveita todo o Verão, que raramente é quente demais.
Fertilização
Como se aproveita a folha, o azoto conta, mas em doses moderadas e de libertação lenta. Composto maduro antes da sementeira e uma ou duas regas com adubo orgânico líquido durante o crescimento dão folha tenra sem acumular nitratos. Adubações fortes e tardias tornam a folha frágil, atraem afídeos e reduzem a conservação depois da colheita.
Rega
Rega com frequência para manter o solo húmido. A folha regada de forma regular é tenra e de picante equilibrado; a folha que passa sede fica dura, amarga e agressiva. Rega de manhã.
Controlo de Infestantes
Semeada densa, a própria cultura cobre o solo e limita muito as infestantes. O trabalho concentra-se nas duas ou três primeiras semanas: sacha à mão ou passa a enxada de forma muito superficial entre as plantas. Evita mexer na terra depois de a folhagem fechar, para não danificar raízes nem trazer novas sementes de infestantes à superfície.
Controlo de Pragas
A altica, um pequeno escaravelho saltador, crava a folha nova de furos redondos em tempo quente e seco: mantém o solo húmido e cobre com rede fina desde a sementeira. A lagarta da couve e a traça das crucíferas comem a folha por dentro: aplica Bacillus thuringiensis nas lagartas pequenas e inspecciona a face inferior da folha todas as semanas. A mosca da couve põe ovos junto ao colo e a larva destrói a raiz: um colar de cartão ou feltro à volta do caule impede a postura. O afídeo cinzento da couve forma colónias cerosas nos rebentos e combate-se com sabão potássico.
Doenças
Sofre poucas doenças por ser de ciclo muito curto. Em tempo húmido pode aparecer míldio na face inferior da folha e algumas manchas foliares. Semeia menos denso, rega de manhã e ao pé da planta, e faz rotação com as outras crucíferas. Não semeies rúcula duas vezes seguidas no mesmo canteiro: a hérnia das crucíferas instala-se em poucos ciclos e fica no solo durante muitos anos.
Colheita
Começa a colher seis a oito semanas depois da sementeira, cortando a planta inteira a três centímetros do solo: é perene e rebenta corte após corte durante um ano ou mais. Colhe de manhã e corta as hastes florais assim que aparecem, porque a planta em flor pára de dar folha e o picante torna-se muito intenso. As flores são comestíveis e decorativas. Conta cerca de 60 dias desde a sementeira até à primeira colheita desta variedade. A cor de referência é verde, e é por ela que se avalia o ponto certo.