Um guia de cultivo passo a passo, da sementeira à colheita.
pH ideal 6,0 a 6,8Temperatura ideal 20 a 28 °CCompasso 45 a 60 cm na linha, 90 a 120 cm entre linhas
Sementeira
Semeia em tabuleiro seis a oito semanas antes da data prevista de plantação, a meio centímetro de profundidade, num substrato leve e a 20 °C a 25 °C. Germina em cinco a dez dias. Repica para vaso individual quando aparecerem as primeiras folhas verdadeiras e enterra o caule até junto dos cotilédones, porque emite raízes ao longo dele e ganha ancoragem. Antes de plantar no local definitivo, endurece as plantas durante uma semana ao ar livre. Planta apenas quando o solo tiver 15 °C de forma estável e já não houver risco de geada. Esta é uma variedade de crescimento indeterminado: a planta continua a alongar durante toda a estação e pode passar os dois metros. Precisa obrigatoriamente de tutor, cana ou fio de condução desde o transplante, e de desladroamento semanal, retirando os rebentos laterais que nascem entre o caule e as folhas enquanto ainda são pequenos. Sem condução, transforma-se numa massa de folhagem no chão que apodrece e apanha doença. Deixa a planta com uma ou duas hastes e desponta a no fim do Verão, cerca de trinta dias antes da primeira geada prevista, para os últimos cachos amadurecerem.
Solo
Quer solo profundo, fértil e bem drenado, rico em matéria orgânica, com pH entre 6,0 e 6,8. Trabalha a terra a pelo menos 30 centímetros porque a raiz vai fundo à procura de água. Um solo com bom teor de cálcio previne a podridão apical, o defeito mais frequente do tomate. Não repitas tomate, batata, pimento ou beringela no mesmo canteiro antes de três ou quatro anos.
Clima
Precisa de sol pleno, no mínimo seis a oito horas por dia, e de temperaturas entre 20 °C e 28 °C. Abaixo de 12 °C à noite a flor não vinga e acima de 35 °C o pólen fica estéril, pelo que há sempre uma pausa de vingamento no auge do Verão. No litoral português a cultura arranca mais devagar porque as noites são frescas e o nevoeiro matinal prolonga a humidade nas folhas, por isso escolhe o ponto mais soalheiro e abrigado do vento e afasta bem as plantas para o ar circular. No interior de Portugal e Espanha o calor é o factor limitante e não o frio: nas semanas em que a temperatura passa dos 35 °C a planta pára de vingar e convém dar sombra ligeira a meio do dia. Em França o cultivo ao ar livre é seguro do centro para sul, enquanto no norte e na Alemanha compensa cultivar em estufa, túnel ou junto a um muro virado a sul, plantando só depois de passar o risco de geada tardia, que nessas regiões é por meados de Maio. Onde o Verão é curto, prefere sempre as variedades de ciclo mais curto e antecipa a sementeira em tabuleiro aquecido. Em Itália é cultura fácil: no centro e no sul planta-se a partir de Abril e o único cuidado real é uma sombra ligeira no calor de Julho e Agosto; no vale do Pó e no norte espera pelo fim das geadas tardias e escolhe o ponto mais soalheiro. Esta é uma variedade de ciclo longo. No interior de Portugal e Espanha e no sul de França completa o ciclo sem dificuldade, mas no litoral atlântico fresco, no norte de França e na Alemanha só chega ao fim se for semeada cedo em ambiente aquecido e cultivada em estufa, túnel ou junto a um muro virado a sul.
Fertilização
É uma cultura exigente. Incorpora dois a três quilos de composto bem curtido ou estrume maduro por metro quadrado antes de plantar e junta um punhado de farinha de ossos ou de cinza de madeira para reforçar o fósforo e o potássio. Depois do arranque, aplica adubo orgânico líquido a cada duas ou três semanas, passando de uma fórmula equilibrada para uma mais rica em potássio quando a planta entra em produção. Evita o excesso de azoto, que dá muita folha e pouca colheita e atrai afídeos.
Rega
Rega de forma profunda e regular, sempre ao pé da planta e nunca sobre a folha. A regularidade é tudo: alternar seca e encharcamento é a causa directa da podridão apical e do rachamento do fruto. Uma rega abundante duas a três vezes por semana é melhor do que um pouco todos os dias. Rega de gota a gota com cobertura de palha é a solução ideal. No interior ibérico, no auge do calor, pode ser necessário regar diariamente.
Controlo de Infestantes
Sacha à mão nas primeiras semanas, quando a planta ainda é pequena e perde qualquer disputa por luz e água. Depois de instalada, cobre o solo com uma camada de cinco a sete centímetros de palha, relva seca ou folhas: trava as infestantes, mantém a humidade e evita que a chuva salpique terra para as folhas de baixo, que é como começa a maioria das doenças. Sacha sempre superficialmente para não cortar as raízes que correm à flor da terra.
Controlo de Pragas
As pragas principais são afídeos, mosca branca, ácaro aranha vermelha, tripes e a lagarta do tomate. Contra afídeos e mosca branca usa sabão potássico ao fim do dia e favorece joaninhas e crisopídeos com faixas de flores próximas. O ácaro aparece no calor seco: aumentar a humidade do ar e usar óleo de neem trava-o. Contra lagartas aplica Bacillus thuringiensis quando as lagartas ainda são pequenas. Armadilhas cromotrópicas amarelas ajudam a detectar mosca branca cedo. O nemátodo das galhas radiculares é um problema em solos arenosos e quentes e resolve-se com rotação longa e incorporação de matéria orgânica.
Doenças
O míldio é a doença mais temida e ataca em tempo húmido e fresco, sobretudo no litoral atlântico e no Norte da Europa: aparecem manchas castanhas oleosas na folha e no fruto. Previne-se com espaçamento largo, poda das folhas baixas até 30 centímetros do solo, rega ao pé da planta e cobertura de palha. O oídio, um pó branco na folha, surge no calor seco e trava-se com enxofre ou bicarbonato de potássio. A alternariose faz manchas concêntricas nas folhas velhas. A podridão apical, aquela mancha preta na base do fruto, não é doença mas falta de cálcio causada por rega irregular. Retira e destrói folhas doentes e nunca as deixes no compostor.
Colheita
Colhe quando o fruto tiver a cor final e ceder ligeiramente à pressão dos dedos, de preferência de manhã. Corta com um pedaço de pedúnculo em vez de puxar, para não ferir a planta. Nunca guardes tomate no frigorífico: abaixo de 12 °C perde aroma de forma irreversível. Se vier chuva ou frio no fim da estação, colhe os frutos já pintados e deixa-os amadurecer dentro de casa. Conta cerca de 90 a 100 dias desde o transplante até à primeira colheita desta variedade. A cor de referência é riscado de laranja e vermelho, e é por ela que se avalia o ponto certo.