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Borago officinalis
Borragem, planta grande de flores azuis a lilás com cinco sépalas, comestíveis tal como as folhas. Não enterre demasiado a semente. De floração longa desde a primavera, é muito melífera e atrai abelhas.
Um guia de cultivo passo a passo, da sementeira à colheita.
Sementeira
Semeia directamente a meio centímetro ou um centímetro, ou em tabuleiro para transplantar às quatro ou cinco semanas. Germina em sete a catorze dias com o solo entre 15 °C e 22 °C. Semeia na Primavera e outra vez no fim do Verão em clima ameno: floresce em poucas semanas e ressemeia-se sozinha. A semente é grande e germina bem directamente no local; transplanta só muito nova, porque a raiz pivotante não gosta de ser mexida.
Solo
Adapta-se a solos comuns, desde que soltos e bem drenados, com pH entre 6,0 e 7,5. Um solo demasiado rico dá folha grande e aguada, com muito menos aroma. A concentração de óleos essenciais é maior em solos medianos e com alguma contenção de água.
Clima
Prefere sol pleno a meia sombra e temperaturas entre 15 °C e 22 °C. O calor forte acelera a floração e reduz a colheita de folha; uma meia sombra nas horas centrais prolonga muito o ciclo no Verão ibérico. Adapta-se a quase toda a Europa ocidental. No litoral português e no sul de Espanha aproveita a Primavera e o Outono e evita o pico do Verão. No interior ibérico rega mais nos meses secos. Em França e na Alemanha a estação natural é a Primavera e o Verão, com sementeira a partir do momento em que o solo aquece de forma estável. Em Itália vale a mesma regra do resto do Mediterrâneo: Primavera e Outono no centro e no sul, Primavera e Verão no norte.
Fertilização
É pouco exigente e um solo demasiado rico prejudica-a. Basta um solo trabalhado com composto na cultura anterior, sem adubação adicional. O excesso de azoto produz plantas moles, aguadas e pouco aromáticas, muito mais sensíveis a pragas e ao frio.
Rega
Rega regularmente e sem encharcar, mantendo o solo ligeiramente húmido. A falta de água antecipa a floração e endurece a folha. Rega de manhã e ao pé da planta, para a folhagem secar durante o dia.
Controlo de Infestantes
Sacha com frequência e sempre à superfície, porque as raízes são curtas e superficiais e partem com facilidade. O melhor método é preparar o canteiro com duas ou três semanas de antecedência, deixar germinar a primeira leva de infestantes, eliminá-la e só depois semear: ganha-se um avanço decisivo. Uma cobertura fina de composto peneirado entre as linhas reduz muito o trabalho seguinte.
Controlo de Pragas
As pragas são poucas porque o aroma da planta afasta muitos insectos. Os afídeos são o problema mais frequente e concentram-se nos rebentos tenros, sobretudo em plantas adubadas em excesso: corta as pontas atacadas e aplica sabão potássico. A aranha vermelha aparece no calor seco e em vaso, e trava-se molhando a folhagem de manhã. As lesmas e os caracóis devastam as plântulas: protege com barreira de cinza nas primeiras semanas. Os tripes e a cigarrinha são pontuais e raramente exigem intervenção.
Doenças
O míldio e o oídio aparecem em ambiente húmido e sem circulação de ar, e a podridão do colo em solo encharcado. Semeia com espaçamento suficiente, rega ao pé da planta e evita molhar a folhagem à tarde. Retira imediatamente qualquer planta com sinais de doença, porque em sementeiras densas alastra em poucos dias. O problema mais comum é a podridão das plântulas em tabuleiro regado em excesso: rega pouco e de manhã até à segunda folha.
Colheita
Colhe as flores azuis uma a uma, puxando-as pelo cálice à medida que abrem, ao longo de várias semanas. As folhas jovens também se comem, mas colhe-as pequenas, antes de ficarem ásperas. Colhe de manhã e usa no próprio dia, porque as flores murcham depressa; deixa algumas ir a semente se quiseres que se ressemeie. Conta cerca de 50 a 60 dias desde o transplante até à primeira colheita desta variedade. A cor de referência é flor azul ou lilás, e é por ela que se avalia o ponto certo.