Um guia de cultivo passo a passo, da sementeira à colheita.
pH ideal 6,0 a 7,5Temperatura ideal 15 a 22 °CCompasso 25 a 30 cm na linha, 25 cm entre linhas
Sementeira
Semeia directamente a meio centímetro ou um centímetro, ou em tabuleiro para transplantar às quatro semanas, e desbasta para vinte e cinco ou trinta centímetros. Germina em cinco a dez dias. As sementeiras de fim de Verão são as melhores, porque o dia decrescente evita o espigamento e o frio do Outono suaviza o amargor.
Solo
Quer solo profundo, solto e bem drenado, com pH entre 6,0 e 7,5. Tem raiz pivotante e agradece um solo trabalhado a fundo. Não é exigente em fertilidade.
Clima
É uma cultura de tempo fresco, entre 15 °C e 22 °C, e resistente ao frio: aguenta geadas ligeiras e a folha fica mais doce depois delas. O calor e o dia longo provocam espigamento e amargor intenso. Esta é uma cultura de tempo fresco e o calor é o seu maior inimigo. No litoral português encontra as condições quase ideais e pode ser cultivada durante grande parte do ano. No interior de Portugal e Espanha concentra a cultura no Outono, Inverno e princípio da Primavera, porque a partir de Junho o calor e o dia longo fazem a planta espigar e amargar. Em França cultiva-se com facilidade da Primavera ao Outono, e na Alemanha aproveita todo o Verão, que raramente é quente demais. Em Itália segue o calendário ibérico no centro e no sul, concentrando a cultura no Outono e no Inverno, e o calendário francês no norte, onde o Verão do vale do Pó raramente a faz espigar cedo demais. Uma sombra ligeira nas horas centrais do dia prolonga a colheita em qualquer clima quente.
Fertilização
Tem necessidades moderadas. Um a dois quilos de composto maduro por metro quadrado incorporados antes da sementeira cobrem quase todo o ciclo. Se a folha empalidecer, uma rega com adubo orgânico líquido equilibrado a meio do ciclo é suficiente. Não uses estrume fresco, que queima as raízes e favorece doenças.
Rega
Rega regularmente para manter a folha tenra e reduzir o amargor. A falta de água intensifica muito o sabor amargo e endurece a folha. Rega ao pé da planta e de manhã.
Controlo de Infestantes
Sacha com frequência e sempre à superfície, porque as raízes são curtas e superficiais e partem com facilidade. O melhor método é preparar o canteiro com duas ou três semanas de antecedência, deixar germinar a primeira leva de infestantes, eliminá-la e só depois semear: ganha-se um avanço decisivo. Uma cobertura fina de composto peneirado entre as linhas reduz muito o trabalho seguinte.
Controlo de Pragas
As lesmas e os caracóis escondem-se no coração da planta e são o problema principal: apanha-os à noite e usa barreira de cinza. Os afídeos instalam-se nas folhas centrais e tratam-se com sabão potássico. A mosca mineira desenha galerias que se removem à mão.
Doenças
A botrytis e a esclerotínia apodrecem o colo e o coração em Outonos e Invernos húmidos, sobretudo em plantas apertadas ou plantadas fundo demais. Espaça bem, planta com o colo à superfície e garante drenagem. O míldio aparece na face inferior da folha em tempo húmido.
Colheita
Colhe folha a folha ou corta a planta inteira rente ao solo, deixando a raiz para rebentar. Para reduzir o amargor, cobre a planta com um vaso invertido durante dez a quinze dias antes da colheita: o branqueamento suaviza muito o sabor e é a prática tradicional desta cultura. A cor de referência é vermelho com nervuras brancas, e é por ela que se avalia o ponto certo.