Um brócolo vigoroso, de cabeça compacta e folhagem verde-acinzentada.
Sobre a variedade. Forma uma cabeça firme e bem cerrada, com peso médio de 250 g e um ciclo de 3 a 4 meses.
Itinerário técnico
Como cultivar brócolo rasmus?
Um guia de cultivo passo a passo, da sementeira à colheita.
pH ideal 6,5 a 7,5Temperatura ideal 15 a 20 °CCompasso 40 a 50 cm na linha, 50 a 70 cm entre linhas
Sementeira
Semeia em tabuleiro a um ou dois centímetros, a 15 °C a 20 °C, e transplanta cinco a seis semanas depois, com quatro a seis folhas verdadeiras, firmando bem a terra. Evita atrasar o transplante: uma planta que fica demasiado tempo no alvéolo forma uma inflorescência minúscula e prematura, defeito que já não se corrige. Com cerca de 60 centímetros de altura, esta variedade cresce bem num vaso com vinte centímetros de fundo e furos de drenagem. Usa um recipiente com pelo menos vinte e cinco centímetros de profundidade e furos de drenagem, e conta com rega mais frequente, porque um vaso seca muito mais depressa do que o solo.
Solo
Quer solo firme, profundo, rico em matéria orgânica e nunca ácido: o pH ideal está entre 6,5 e 7,5 e um solo ácido convida à hérnia das crucíferas. Gosta de solo assente e não fofo: calca ligeiramente à volta da planta depois de transplantar. Rotação mínima de quatro anos com qualquer outra crucífera, incluindo rabanete, nabo e rúcula.
Clima
É uma cultura de tempo fresco por excelência, entre 15 °C e 20 °C. Acima de 25 °C a inflorescência abre em flor amarela antes de atingir tamanho, que é o insucesso mais comum em sementeiras de Primavera tardia no interior ibérico. No litoral português encontra as condições quase ideais e pode ser cultivada durante grande parte do ano. No interior de Portugal e Espanha concentra a cultura no Outono, Inverno e princípio da Primavera, porque a partir de Junho o calor e o dia longo fazem a planta espigar e amargar. Em França cultiva-se com facilidade da Primavera ao Outono, e na Alemanha aproveita todo o Verão, que raramente é quente demais. Uma sombra ligeira nas horas centrais do dia prolonga a colheita em qualquer clima quente.
Fertilização
É uma cultura exigente. Incorpora dois a três quilos de composto bem curtido por metro quadrado antes de plantar, com um punhado de cinza de madeira para o potássio. Depois do arranque, aplica adubo orgânico líquido a cada duas ou três semanas, passando de uma fórmula equilibrada para uma mais rica em potássio quando a planta entra em produção. Evita o excesso de azoto, que dá muita folha e pouca colheita e atrai afídeos.
Rega
Precisa de água constante, sem qualquer interrupção, sobretudo durante a formação da cabeça. Um período de seca nessa fase reduz drasticamente o tamanho da inflorescência e antecipa a floração. Rega ao pé da planta e cobre o solo com palha.
Controlo de Infestantes
Sacha à mão nas primeiras semanas, quando a planta ainda é pequena e perde qualquer disputa por luz e água. Depois de instalada, cobre o solo com uma camada de cinco a sete centímetros de palha, relva seca ou folhas: trava as infestantes, mantém a humidade e evita que a chuva salpique terra para as folhas de baixo, que é como começa a maioria das doenças. Sacha sempre superficialmente para não cortar as raízes que correm à flor da terra.
Controlo de Pragas
A altica, um pequeno escaravelho saltador, crava a folha nova de furos redondos em tempo quente e seco: mantém o solo húmido e cobre com rede fina desde a sementeira. A lagarta da couve e a traça das crucíferas comem a folha por dentro: aplica Bacillus thuringiensis nas lagartas pequenas e inspecciona a face inferior da folha todas as semanas. A mosca da couve põe ovos junto ao colo e a larva destrói a raiz: um colar de cartão ou feltro à volta do caule impede a postura. O afídeo cinzento da couve forma colónias cerosas nos rebentos e combate-se com sabão potássico. Uma rede anti-insecto de malha fina colocada logo à plantação resolve quase todos estes problemas de uma só vez.
Doenças
A hérnia das crucíferas é a doença mais grave: deforma a raiz, a planta murcha e o fungo persiste no solo durante quase vinte anos. Previne-se com rotação de quatro a cinco anos, drenagem e um pH acima de 7,0, corrigido com calcário. A alternariose faz manchas concêntricas escuras e o míldio um pó cinzento na face inferior da folha; ambos gostam de humidade, por isso espaça bem e rega ao pé. A podridão negra entra pelos bordos da folha em forma de V amarelo e transmite-se pela semente e pela água de rega. Retira todos os restos da cultura no fim e não os deixes no compostor.
Colheita
Corta a cabeça central quando os grãos ainda estiverem bem fechados e verdes, mesmo que pareça pequena: quando amarelece já passou o ponto. Corta na diagonal com dez a quinze centímetros de caule, para a água não ficar no corte. Depois disso a planta emite rebentos laterais durante várias semanas, que muitas vezes valem mais do que a cabeça principal. A cor de referência é verde acizentado, e é por ela que se avalia o ponto certo.