Couve Smaragd

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Itinerário técnico

Como cultivar couve smaragd?

Um guia de cultivo passo a passo, da sementeira à colheita.

pH ideal 6,5 a 7,5Temperatura ideal 15 a 20 °CCompasso 40 a 60 cm na linha, 50 a 70 cm entre linhas

Sementeira

Semeia em tabuleiro a um ou dois centímetros de profundidade, a 15 °C a 20 °C. Germina em cinco a dez dias. Transplanta com quatro a seis folhas verdadeiras, cerca de cinco semanas depois, enterrando a planta até às primeiras folhas e calcando bem a terra à volta: uma couve mal firmada abana ao vento e nunca forma cabeça em condições. Rega bem no dia do transplante e coloca logo o colar contra a mosca da couve.

Solo

Quer solo firme, profundo, rico em matéria orgânica e nunca ácido: o pH ideal está entre 6,5 e 7,5 e um solo ácido convida à hérnia das crucíferas. Ao contrário das raízes, esta família gosta de solo assente e não fofo, por isso calca ligeiramente à volta da planta depois de transplantar. Rotação mínima de quatro anos com qualquer outra crucífera, incluindo rabanete, nabo e rúcula.

Clima

É uma cultura de tempo fresco, que dá o seu melhor entre 15 °C e 20 °C e melhora de sabor depois de uma geada. O calor forte trava a formação da cabeça e faz a planta espigar. Aguenta bem o frio e a geada ligeira melhora até o sabor, pelo que é uma cultura de Outono e Inverno no sul da Europa. No litoral português desenvolve-se sem problemas todo o Inverno. No interior de Portugal e Espanha as geadas nocturnas não a prejudicam, mas o Verão é demasiado quente e seco para ela. Em França e na Alemanha é uma cultura de Verão e Outono, e em Inverno frio um véu de forçagem ou um túnel baixo mantêm a folha em bom estado até bem dentro da estação fria. Em Itália é cultura de Outono e Inverno no centro e no sul, como em Portugal, e de Primavera e Outono no norte, onde o Inverno do vale do Pó é demasiado duro para a deixar ao ar livre sem protecção.

Fertilização

É uma cultura exigente. Incorpora dois a três quilos de composto bem curtido ou estrume maduro por metro quadrado antes de plantar e junta um punhado de farinha de ossos ou de cinza de madeira para reforçar o fósforo e o potássio. Depois do arranque, aplica adubo orgânico líquido a cada duas ou três semanas, passando de uma fórmula equilibrada para uma mais rica em potássio quando a planta entra em produção. Evita o excesso de azoto, que dá muita folha e pouca colheita e atrai afídeos.

Rega

Rega de forma regular e generosa, porque a folha transpira muito. A irregularidade é o que faz rachar as cabeças já formadas: depois de uma seca, uma rega forte parte a couve ao meio. Rega ao pé da planta e cobre o solo com palha para amortecer as variações.

Controlo de Infestantes

Sacha à mão nas primeiras semanas, quando a planta ainda é pequena e perde qualquer disputa por luz e água. Depois de instalada, cobre o solo com uma camada de cinco a sete centímetros de palha, relva seca ou folhas: trava as infestantes, mantém a humidade e evita que a chuva salpique terra para as folhas de baixo, que é como começa a maioria das doenças. Sacha sempre superficialmente para não cortar as raízes que correm à flor da terra.

Controlo de Pragas

As pragas desta família são muitas e vale a pena preveni-las em vez de as combater. A altica, um pequeno escaravelho saltador, crava a folha nova de furos redondos em tempo quente e seco: mantém o solo húmido e cobre com rede fina desde a sementeira. A lagarta da couve e a traça das crucíferas comem a folha por dentro: aplica Bacillus thuringiensis nas lagartas pequenas e inspecciona a face inferior da folha todas as semanas. A mosca da couve põe ovos junto ao colo e a larva destrói a raiz: um colar de cartão ou feltro à volta do caule impede a postura. O afídeo cinzento da couve forma colónias cerosas nos rebentos e combate-se com sabão potássico. Uma rede anti-insecto de malha fina colocada logo à plantação resolve praticamente todos estes problemas de uma só vez.

Doenças

A hérnia das crucíferas é a doença mais grave: deforma a raiz, a planta murcha e o fungo persiste no solo durante quase vinte anos. Previne-se com rotação de quatro a cinco anos, drenagem e um pH acima de 7,0, corrigido com calcário. A alternariose faz manchas concêntricas escuras nas folhas e o míldio um pó branco acinzentado na face inferior, ambos favorecidos pela humidade: espaça bem as plantas e rega ao pé. A podridão negra entra pelos bordos da folha em forma de V amarelo e transmite-se pela semente e pela água de rega. Retira todos os restos da cultura no fim e não os deixes no compostor.

Colheita

Colhe quando a cabeça estiver firme ao apertar com a mão. Corta pela base com faca e deixa o toco no solo com algumas folhas: muitas variedades emitem rebentos laterais que dão uma segunda colheita mais pequena. Uma cabeça que começa a rachar deve ser colhida de imediato. Conserva-se várias semanas em local fresco e escuro. Conta cerca de 120 a 140 dias desde o transplante até à primeira colheita desta variedade. A cor de referência é verde escuro, e é por ela que se avalia o ponto certo.

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