Um melão com história: o Manuel António é uma variedade tradicional portuguesa de polpa branca, frutos grandes e sabor que só se revela na maturação plena.
Sobre a variedade. Frutos elípticos de casca verde-escura e polpa branca, pesando entre 3 e 4 kg (o tamanho varia consoante as condições de cultivo). As flores são comestíveis e a planta é melífera.
Itinerário técnico
Como cultivar melão manuel antónio?
Um guia de cultivo passo a passo, da sementeira à colheita.
pH ideal 6,0 a 7,0Temperatura ideal 22 a 32 °CCompasso 100 cm na linha, 100 cm entre linhas
Sementeira
Semeia em vaso individual três a quatro semanas antes de plantar, a dois centímetros, com o substrato entre 24 °C e 28 °C. Germina em quatro a oito dias. Transplanta com o torrão intacto e nunca enterres o colo, que apodrece com facilidade. Planta em solo já aquecido, acima de 18 °C: uma plantação precoce em solo frio bloqueia a planta para o resto da estação. As primeiras flores são todas masculinas e não dão fruto; se mais tarde os frutos secarem ainda pequenos, falta polinização: poliniza à mão de manhã cedo com um pincel. Esta variedade produz guias longas: o compasso indicado é para plantas conduzidas em suporte ou com as guias contidas; deixada a correr pelo chão, ocupa dois a três metros.
Solo
Quer solo solto, profundo, muito bem drenado e rico em matéria orgânica, com pH entre 6,0 e 7,0. Prefere terrenos que aquecem depressa, como os arenosos ou francos, e detesta solos pesados e frios. Um canteiro elevado com filme ou cobertura escura acelera muito o arranque nas regiões mais frescas.
Clima
Precisa de muito calor e de sol, entre 22 °C e 32 °C, e de uma estação longa e seca no fim para o fruto ganhar açúcar. É a cultura mais dependente de calor de toda a horta europeia. No litoral atlântico e no Norte da Europa raramente atinge o doce que atinge no interior, e aí a estufa ou o túnel são quase obrigatórios. No interior de Portugal e Espanha o calor é o factor limitante e não o frio: nas semanas em que a temperatura passa dos 35 °C a planta pára de vingar e convém dar sombra ligeira a meio do dia. Em França o cultivo ao ar livre é seguro do centro para sul, enquanto no norte e na Alemanha compensa cultivar em estufa, túnel ou junto a um muro virado a sul, plantando só depois de passar o risco de geada tardia, que nessas regiões é por meados de Maio. Esta é uma variedade de ciclo longo. Fora do interior ibérico só chega ao fim se for semeada cedo com calor e cultivada em estufa ou túnel.
Fertilização
Incorpora dois a três quilos de composto bem curtido por metro quadrado antes de plantar e junta um punhado de cinza de madeira para reforçar o potássio. Depois do arranque, aplica adubo orgânico líquido a cada duas ou três semanas, passando de uma fórmula equilibrada para uma mais rica em potássio quando a planta entra em produção. Evita o excesso de azoto, que dá muita folha e pouca colheita e atrai afídeos.
Rega
Rega regularmente até os frutos atingirem o tamanho final e depois reduz drasticamente. Continuar a regar durante a maturação é o erro que arruína mais melões: dá fruto insípido e rachado. As últimas duas semanas devem ser quase secas. Rega sempre ao pé da planta, nunca sobre a folha nem sobre o fruto.
Controlo de Infestantes
O período crítico é o primeiro mês, antes de a folhagem cobrir o solo. Sacha à mão nessa fase e, quando as guias começarem a alastrar, deixa de mexer na terra: a partir daí a própria planta abafa as infestantes. Uma cobertura de palha por baixo da folhagem mantém os frutos limpos e secos e reduz muito as perdas por podridão de contacto com o solo.
Controlo de Pragas
As pragas principais são o afídeo, a aranha vermelha, os tripes e a mosca branca, e nas plantas jovens as lesmas e os caracóis, que podem cortar uma planta acabada de nascer numa noite. Protege as plântulas com uma garrafa cortada ou uma barreira de cinza nas primeiras semanas. Contra afídeos e mosca branca aplica sabão potássico ao fim da tarde; contra a aranha vermelha, que aparece no calor seco, molha a folha de manhã e usa óleo de neem.
Doenças
O oídio é praticamente inevitável e reconhece-se pelo pó branco na face superior da folha, sobretudo a partir de meados do Verão. Trava-se com bicarbonato de potássio ou enxofre aplicado aos primeiros sinais, folhas velhas retiradas e boa circulação de ar. O míldio das cucurbitáceas dá manchas amarelas angulosas limitadas pelas nervuras e prospera na humidade do litoral. A antracnose e a podridão do colo aparecem em solo encharcado. Faz rotação de quatro anos e retira todos os restos da cultura no fim da estação, porque é neles que os fungos passam o Inverno.
Colheita
Este é um melão de Inverno, quase sem aroma e que não se solta do pedúnculo: o ponto conhece-se pela mancha de contacto com o solo, que passa de branca a amarela, e pela casca que cede um pouco na extremidade oposta ao pedúnculo. Um melão colhido cedo demais não amadurece nem ganha açúcar depois de cortado. Coloca uma telha, tábua ou palha por baixo de cada fruto para o manter seco e limpo. Conta cerca de 90 dias desde o transplante até à primeira colheita desta variedade. A cor de referência é casca verde escura com polpa branca, e é por ela que se avalia o ponto certo.