Uma meloa de origem francesa com séculos de tradição, pequena, perfumada e de polpa alaranjada irresistível.
Sobre a variedade. Frutos redondos com ranhuras e casca encortiçada verde-escura e cinzenta, pesando 800–1100 g. A polpa é alaranjada, doce e muito aromática — uma sobremesa de verão por si só. Atenção ao ponto de colheita: frutos com casca totalmente amarela estão demasiado maduros (ácidos e fermentados); o momento ideal é quando a casca verde apresenta manchas amarelas. As flores são comestíveis e atraem polinizadores.
Itinerário técnico
Como cultivar meloa petit gris de rennes?
Um guia de cultivo passo a passo, da sementeira à colheita.
pH ideal 6,0 a 7,0Temperatura ideal 22 a 32 °CCompasso 100 cm na linha, 100 cm entre linhas
Sementeira
Semeia em vaso individual três a quatro semanas antes de plantar, a dois centímetros, com o substrato entre 24 °C e 28 °C. Germina em quatro a oito dias. Transplanta com o torrão intacto e nunca enterres o colo, que apodrece com facilidade. Planta em solo já aquecido, acima de 18 °C: uma plantação precoce em solo frio bloqueia a planta para o resto da estação. As primeiras flores são todas masculinas e não dão fruto; se mais tarde os frutos secarem ainda pequenos, falta polinização: poliniza à mão de manhã cedo com um pincel. Esta variedade produz guias longas: o compasso indicado é para plantas conduzidas em suporte ou com as guias contidas; deixada a correr pelo chão, ocupa dois a três metros.
Solo
Quer solo solto, profundo, muito bem drenado e rico em matéria orgânica, com pH entre 6,0 e 7,0. Prefere terrenos que aquecem depressa, como os arenosos ou francos, e detesta solos pesados e frios. Um canteiro elevado com filme ou cobertura escura acelera muito o arranque nas regiões mais frescas.
Clima
Precisa de muito calor e de sol, entre 22 °C e 32 °C, e de uma estação longa e seca no fim para o fruto ganhar açúcar. É a cultura mais dependente de calor de toda a horta europeia. No litoral atlântico e no Norte da Europa raramente atinge o doce que atinge no interior, e aí a estufa ou o túnel são quase obrigatórios. No interior de Portugal e Espanha o calor é o factor limitante e não o frio: nas semanas em que a temperatura passa dos 35 °C a planta pára de vingar e convém dar sombra ligeira a meio do dia. Em França o cultivo ao ar livre é seguro do centro para sul, enquanto no norte e na Alemanha compensa cultivar em estufa, túnel ou junto a um muro virado a sul, plantando só depois de passar o risco de geada tardia, que nessas regiões é por meados de Maio.
Fertilização
Incorpora dois a três quilos de composto bem curtido por metro quadrado antes de plantar e junta um punhado de cinza de madeira para reforçar o potássio. Depois do arranque, aplica adubo orgânico líquido a cada duas ou três semanas, passando de uma fórmula equilibrada para uma mais rica em potássio quando a planta entra em produção. Evita o excesso de azoto, que dá muita folha e pouca colheita e atrai afídeos.
Rega
Rega regularmente até os frutos atingirem o tamanho final e depois reduz drasticamente. Continuar a regar durante a maturação é o erro que arruína mais melões: dá fruto insípido e rachado. As últimas duas semanas devem ser quase secas. Rega sempre ao pé da planta, nunca sobre a folha nem sobre o fruto.
Controlo de Infestantes
O período crítico é o primeiro mês, antes de a folhagem cobrir o solo. Sacha à mão nessa fase e, quando as guias começarem a alastrar, deixa de mexer na terra: a partir daí a própria planta abafa as infestantes. Uma cobertura de palha por baixo da folhagem mantém os frutos limpos e secos e reduz muito as perdas por podridão de contacto com o solo.
Controlo de Pragas
As pragas principais são o afídeo, a aranha vermelha, os tripes e a mosca branca, e nas plantas jovens as lesmas e os caracóis, que podem cortar uma planta acabada de nascer numa noite. Protege as plântulas com uma garrafa cortada ou uma barreira de cinza nas primeiras semanas. Contra afídeos e mosca branca aplica sabão potássico ao fim da tarde; contra a aranha vermelha, que aparece no calor seco, molha a folha de manhã e usa óleo de neem.
Doenças
O oídio é praticamente inevitável e reconhece-se pelo pó branco na face superior da folha, sobretudo a partir de meados do Verão. Trava-se com bicarbonato de potássio ou enxofre aplicado aos primeiros sinais, folhas velhas retiradas e boa circulação de ar. O míldio das cucurbitáceas dá manchas amarelas angulosas limitadas pelas nervuras e prospera na humidade do litoral. A antracnose e a podridão do colo aparecem em solo encharcado. Faz rotação de quatro anos e retira todos os restos da cultura no fim da estação, porque é neles que os fungos passam o Inverno.
Colheita
O ponto de colheita conhece-se pelo aroma na extremidade oposta ao pedúnculo, pela mudança de cor de fundo e, nas variedades de rede, pelo pedúnculo que começa a fender e a soltar-se sozinho. Um melão colhido cedo demais não amadurece nem ganha açúcar depois de cortado. Coloca uma telha, tábua ou palha por baixo de cada fruto para o manter seco e limpo. Conta cerca de 70 a 80 dias desde o transplante até à primeira colheita desta variedade. A cor de referência é casca verde escura e cinzenta, com polpa laranja, e é por ela que se avalia o ponto certo.