Um nabo greleiro tradicional e muito precoce, cultivado pelas folhas e inflorescências verde-escuras, excelentes para cozinhar.
Sobre a variedade. De rápido crescimento, produz grelos mais cedo do que outras seleções, embora a floração rápida permita menos colheitas sucessivas.
Itinerário técnico
Como cultivar nabo greleiro temporão 40 dias?
Um guia de cultivo passo a passo, da sementeira à colheita.
pH ideal 6,0 a 7,0Temperatura ideal 10 a 20 °CCompasso 10 a 15 cm na linha, 20 cm entre linhas
Sementeira
Semeia sempre directamente no local definitivo, a um ou dois centímetros, em linhas, porque o transplante deforma a raiz. Germina em quatro a sete dias. Desbasta cedo, ao compasso indicado, quando as plântulas tiverem duas folhas verdadeiras: aqui interessa a folha e o grelo, não a raiz, por isso tolera mais densidade. Semeia de Agosto a Outubro para colher nabiças no Outono e grelos no fim do Inverno e princípio da Primavera.
Solo
Quer solo solto, profundo, sem pedras e sem estrume fresco, com pH entre 6,0 e 7,0. Para folha e grelos, um solo fresco e com composto bem curtido dá o melhor resultado. Trabalha a terra a vinte e cinco centímetros e desfaz bem os torrões antes de semear. Roda com culturas fora da família das crucíferas.
Clima
É uma cultura de tempo fresco, ideal entre 10 °C e 20 °C, e a folha e os grelos ficam mais doces depois de apanhar frio. O calor forte faz a planta espigar antes de tempo e dá folha dura e picante. No litoral português encontra as condições quase ideais e pode ser cultivada durante grande parte do ano. No interior de Portugal e Espanha concentra a cultura no Outono, Inverno e princípio da Primavera, porque a partir de Junho o calor e o dia longo fazem a planta espigar e amargar. Em França cultiva-se com facilidade da Primavera ao Outono, e na Alemanha aproveita todo o Verão, que raramente é quente demais. Uma sombra ligeira nas horas centrais do dia prolonga a colheita em qualquer clima quente. Esta é uma variedade de ciclo curto, ideal para sementeiras escalonadas e para aproveitar as janelas frescas de fim de Inverno e princípio de Outono, quando o calor ainda não obriga a planta a espigar.
Fertilização
Não leva estrume fresco nem adubação azotada forte: isso dá raízes bifurcadas, pilosas e sem sabor. Usa um canteiro adubado com composto na cultura anterior e reforça apenas o potássio, com cinza de madeira peneirada, que melhora a doçura e a conservação.
Rega
Rega regularmente e sem interrupções. A alternância de seca e rega abundante racha as raízes e torna-as fibrosas e picantes. Um solo constantemente fresco dá raízes tenras e doces. No Outono e Inverno a chuva costuma bastar; no Verão rega duas a três vezes por semana.
Controlo de Infestantes
A cultura germina depressa, mas nas primeiras semanas a plântula é pequena e perde a disputa com as infestantes. Prepara o canteiro com antecedência, elimina a primeira leva de infestantes antes de semear e sacha entre linhas logo que as linhas se distingam. Sacha superficialmente entre linhas e nunca amontoes terra sobre a coroa.
Controlo de Pragas
A altica, um pequeno escaravelho saltador, crava a folha nova de furos redondos em tempo quente e seco: mantém o solo húmido e cobre com rede fina desde a sementeira. A lagarta da couve e a traça das crucíferas comem a folha por dentro: aplica Bacillus thuringiensis nas lagartas pequenas e inspecciona a face inferior da folha todas as semanas. A mosca da couve põe ovos junto ao colo e a larva destrói a raiz: um colar de cartão ou feltro à volta do caule impede a postura. O afídeo cinzento da couve forma colónias cerosas nos rebentos e combate-se com sabão potássico.
Doenças
A hérnia das crucíferas é a doença mais grave: deforma a raiz, a planta murcha e o fungo persiste no solo durante quase vinte anos. Previne-se com rotação de quatro a cinco anos, drenagem e um pH que nunca desça abaixo de 6,0, corrigido com calcário. A alternariose faz manchas concêntricas escuras e o míldio um pó cinzento na face inferior da folha; ambos gostam de humidade, por isso espaça bem e rega ao pé. A podridão negra entra pelos bordos da folha em forma de V amarelo e transmite-se pela semente e pela água de rega. Retira todos os restos da cultura no fim e não os deixes no compostor.
Colheita
Colhe as nabiças jovens, cortando as folhas exteriores a dois centímetros do solo e deixando o centro da planta para rebentar. Os grelos são as hastes florais: corta-os com quinze a vinte centímetros, antes de os botões abrirem, que é quando estão tenros e doces. Cortados assim, voltam a rebentar e dão várias colheitas ao longo de semanas; um grelo já em flor fica amargo. Conta cerca de 40 dias desde a sementeira até à primeira colheita desta variedade. A cor de referência é verde, e é por ela que se avalia o ponto certo.