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Valerianella locusta
Canónigos de folha espatulada larga e verde-escura, que formam rosetas compactas e produtivas. A semente necessita de luz - semeie a 0,5 cm; embeba 24–48 h para acelerar a germinação. Rápido, resistente ao frio e apto para vaso.
Um guia de cultivo passo a passo, da sementeira à colheita.
Sementeira
Semeia directamente a meio centímetro ou um centímetro, a lanço ou em linhas apertadas, e calca ligeiramente a terra por cima. Germina em dez a catorze dias, com solo fresco: acima de 20 °C a germinação é fraca e irregular, por isso a época certa é do fim do Verão ao Outono. Não precisa de desbaste fino, porque cresce bem em tapete denso. Forma uma roseta baixa e cresce bem em vaso ou floreira pouco funda, no exterior durante todo o Inverno.
Solo
Não é exigente e cresce em solos pobres, desde que sejam bem drenados e assentes, com pH entre 6,5 e 7,5. Um solo demasiado fofo prejudica a germinação: calca a superfície depois de semear. Semeada depois de uma cultura de Verão, aproveita o canteiro sem nova preparação: basta limpar, nivelar e calcar.
Clima
É uma das culturas mais resistentes ao frio da horta e aguenta vários graus negativos sem protecção, ficando mais saborosa depois da geada. O calor, pelo contrário, fá-la espigar de imediato. É a folha de salada do Inverno por excelência. No litoral português desenvolve-se sem problemas todo o Inverno. No interior de Portugal e Espanha as geadas nocturnas não a prejudicam, mas o Verão é demasiado quente e seco para ela. Em França e na Alemanha é a salada clássica de Outono e Inverno: semeia em Agosto e Setembro, e em Inverno rigoroso um véu ou um túnel baixo mantêm a folha em bom estado até à Primavera. Em Itália é cultura de Outono e Inverno no centro e no sul, como em Portugal, e de Primavera e Outono no norte, onde o Inverno do vale do Pó é demasiado duro para a deixar ao ar livre sem protecção.
Fertilização
É pouco exigente e um solo demasiado rico prejudica-a. Basta um solo trabalhado com composto na cultura anterior, sem adubação adicional. O excesso de azoto produz plantas moles, aguadas e pouco aromáticas, muito mais sensíveis a pragas e ao frio.
Rega
Rega ligeiramente para manter a superfície húmida até à germinação, que é lenta. Depois de instalada, precisa de muito pouca água, e no Inverno a chuva costuma bastar. O excesso de humidade parada apodrece as rosetas.
Controlo de Infestantes
Semeada densa, a própria cultura cobre o solo e limita muito as infestantes. O trabalho concentra-se nas duas ou três primeiras semanas: sacha à mão ou passa a enxada de forma muito superficial entre as plantas. Evita mexer na terra depois de a folhagem fechar, para não danificar raízes nem trazer novas sementes de infestantes à superfície.
Controlo de Pragas
Poucas pragas o incomodam no Inverno. As lesmas e os caracóis são o único problema sério e escondem-se entre as rosetas: apanha-os à noite e usa uma barreira de cinza. Os pássaros arrancam as plântulas nas semanas frias: uma rede leve por cima da sementeira até as rosetas se fecharem resolve. Vigia também os afídeos em Invernos amenos. A mosca mineira pode desenhar galerias na folha em Outonos amenos: retira as folhas marcadas e a planta segue sem tratamento.
Doenças
O míldio e a botrytis podem aparecer se a sementeira for demasiado densa e o Inverno muito húmido. Semeia menos denso do que a intuição sugere, garante drenagem e evita regar por cima da folha. Em Invernos muito molhados, um túnel baixo aberto nos topos mantém a folha seca sem aquecer demais, que é o que a faz espigar. Pontos escuros no bordo da folha em sementeiras repetidas no mesmo sítio são mancha foliar: muda de canteiro todos os anos.
Colheita
Colhe a roseta inteira cortando rente ao solo com faca, quando tiver seis a oito folhas. Também podes colher folhas soltas, mas a roseta inteira é o formato tradicional e o mais prático. Lava bem, porque a folha assenta no solo e retém terra. Conta cerca de 30 a 40 dias desde a sementeira até à primeira colheita desta variedade. A cor de referência é verde escuro, e é por ela que se avalia o ponto certo.