Um guia de cultivo passo a passo, da sementeira à colheita.
pH ideal 6,0 a 8,0Temperatura ideal 18 a 28 °CCompasso 10 a 15 cm na linha, 55 cm entre linhas
Sementeira
Semeia directamente a quatro ou seis centímetros, em linhas. Germina em sete a catorze dias. No Sul da Europa semeia-se no fim do Inverno ou no princípio da Primavera; mais a norte, quando o solo já aqueceu bem. Não transplantes. É uma cultura de sequeiro por excelência e não gosta de excesso de humidade em nenhuma fase.
Solo
Prefere solos ligeiros, calcários e muito bem drenados, e tolera pH até 8,0. Suporta terrenos pobres melhor do que quase qualquer outra cultura. Nunca em solo pesado e encharcado, onde a raiz apodrece rapidamente.
Clima
Gosta de calor e de secura, entre 18 °C e 28 °C, e é uma das culturas mais resistentes à seca da horta. Suporta geadas ligeiras quando jovem. A humidade excessiva na floração e na maturação é o seu maior inimigo, o que torna o litoral atlântico húmido a zona menos favorável. No litoral português a cultura arranca mais devagar porque as noites são frescas e o nevoeiro matinal prolonga a humidade nas folhas, por isso escolhe o ponto mais soalheiro e abrigado do vento e afasta bem as plantas para o ar circular. No interior de Portugal e Espanha o calor é o factor limitante e não o frio: nas semanas em que a temperatura passa dos 35 °C a planta pára de vingar e convém dar sombra ligeira a meio do dia. Em França o cultivo ao ar livre é seguro do centro para sul, enquanto no norte e na Alemanha compensa cultivar em estufa, túnel ou junto a um muro virado a sul, plantando só depois de passar o risco de geada tardia, que nessas regiões é por meados de Maio. Onde o Verão é curto, prefere sempre as variedades de ciclo mais curto e antecipa a sementeira em tabuleiro aquecido. Em Itália é cultura fácil: no centro e no sul planta-se a partir de Abril e o único cuidado real é uma sombra ligeira no calor de Julho e Agosto; no vale do Pó e no norte espera pelo fim das geadas tardias e escolhe o ponto mais soalheiro.
Fertilização
Fixa o seu próprio azoto através das bactérias do nódulo radicular, por isso não deve levar adubo azotado. Incorpora apenas composto maduro se o solo for pobre e, se precisar, um pouco de cinza de madeira pelo potássio. Adubar com azoto é o erro clássico nesta cultura: dá plantas enormes com poucas vagens.
Rega
Praticamente não precisa de rega em clima mediterrânico. Uma rega de apoio na floração, se o ano for muito seco, melhora o rendimento. O excesso de água dá muita folha, poucas vagens e podridão da raiz.
Controlo de Infestantes
Sacha com frequência e sempre à superfície, porque as raízes são curtas e superficiais e partem com facilidade. O melhor método é preparar o canteiro com duas ou três semanas de antecedência, deixar germinar a primeira leva de infestantes, eliminá-la e só depois semear: ganha-se um avanço decisivo. Uma cobertura fina de composto peneirado entre as linhas reduz muito o trabalho seguinte.
Controlo de Pragas
A lagarta da vagem perfura os grãos ainda na planta e é a praga principal: aplica Bacillus thuringiensis na floração se detectares posturas. Os afídeos atacam as pontas tenras. Os gorgulhos furam os grãos armazenados: congela a semente durante quarenta e oito horas antes de guardar.
Doenças
A rabugem, ou ascoquita, faz manchas escuras com pontos negros nas folhas e nas vagens em Primaveras húmidas e pode destruir a cultura: usa-semente sã, semeia com espaçamento largo e não trabalhes entre plantas molhadas. A fusariose murcha a planta em solo infestado. Faz rotação de quatro anos.
Colheita
Para grão verde, colhe as vagens quando estiverem cheias e ainda verdes. Para grão seco, espera que a planta amareleça e as vagens sequem por completo, arranca as plantas inteiras e deixa a secar mais alguns dias antes de debulhar. Colher com humidade é o erro que faz apodrecer o grão armazenado. A cor de referência é creme, e é por ela que se avalia o ponto certo.