Um guia de cultivo passo a passo, da sementeira à colheita.
pH ideal 6,0 a 7,0Temperatura ideal 20 a 30 °CCompasso 40 a 50 cm na linha, 100 a 120 cm entre linhas
Sementeira
Semeia em vaso individual três a quatro semanas antes da plantação, a dois ou três centímetros de profundidade e com a semente de lado, a 22 °C a 25 °C. Germina em cinco a oito dias. Detesta que lhe mexam na raiz, por isso usa vaso biodegradável ou transplanta com o torrão intacto e sem apertar. Também podes semear directamente no local, duas ou três sementes por cova, quando o solo estiver acima de 15 °C, e deixar depois a planta mais forte. Tem flores masculinas e femininas separadas na mesma planta e depende de insectos para o vingamento. As primeiras flores são todas masculinas e não dão fruto, o que assusta muitos hortelãos sem motivo. Se os frutos secarem ainda pequenos, o problema é falta de polinizadores: semeia flores por perto e evita tratamentos durante a floração, ou poliniza à mão de manhã cedo com um pincel. Esta variedade produz guias longas e trepadoras. Podes deixá-la alastrar pelo chão, contando com dois a três metros de espaço por planta, ou conduzi-la num suporte vertical sólido, o que poupa espaço, mantém os frutos limpos e reduz muito o risco de doença da folha. Se a conduzires em altura e os frutos forem pesados, apoia cada um com uma rede ou um pano atado ao suporte.
Solo
Quer solo profundo, solto, muito rico em matéria orgânica e bem drenado, com pH entre 6,0 e 7,0. A prática clássica é abrir uma cova larga, encher a de composto maduro e plantar sobre esse ponto, o que dá à planta a reserva de que precisa. Roda de quatro em quatro anos com plantas de outras famílias.
Clima
Precisa de calor constante entre 20 °C e 30 °C e de sol, mas agradece meia sombra nas horas mais quentes do Verão ibérico. Abaixo de 12 °C pára de crescer e amarga. É muito sensível ao vento seco, que queima as folhas. No litoral português a cultura arranca mais devagar porque as noites são frescas e o nevoeiro matinal prolonga a humidade nas folhas, por isso escolhe o ponto mais soalheiro e abrigado do vento e afasta bem as plantas para o ar circular. No interior de Portugal e Espanha o calor é o factor limitante e não o frio: nas semanas em que a temperatura passa dos 35 °C a planta pára de vingar e convém dar sombra ligeira a meio do dia. Em França o cultivo ao ar livre é seguro do centro para sul, enquanto no norte e na Alemanha compensa cultivar em estufa, túnel ou junto a um muro virado a sul, plantando só depois de passar o risco de geada tardia, que nessas regiões é por meados de Maio. Onde o Verão é curto, prefere sempre as variedades de ciclo mais curto e antecipa a sementeira em tabuleiro aquecido. Em Itália é cultura fácil: no centro e no sul planta-se a partir de Abril e o único cuidado real é uma sombra ligeira no calor de Julho e Agosto; no vale do Pó e no norte espera pelo fim das geadas tardias e escolhe o ponto mais soalheiro. Esta é uma variedade precoce, o que a torna especialmente indicada para regiões de Verão curto como o norte de França e a Alemanha, e também para uma segunda cultura de fim de estação no Sul.
Fertilização
É uma cultura exigente. Incorpora dois a três quilos de composto bem curtido ou estrume maduro por metro quadrado antes de plantar e junta um punhado de farinha de ossos ou de cinza de madeira para reforçar o fósforo e o potássio. Depois do arranque, aplica adubo orgânico líquido a cada duas ou três semanas, passando de uma fórmula equilibrada para uma mais rica em potássio quando a planta entra em produção. Evita o excesso de azoto, que dá muita folha e pouca colheita e atrai afídeos.
Rega
É a cucurbitácea mais sedenta e a mais castigada pela irregularidade da rega. O fruto é quase todo água e qualquer stress hídrico dá pepinos tortos, ocos ou amargos. Rega abundantemente e todos os dias no calor, sempre ao pé da planta e de manhã. A cobertura de palha é essencial para manter a humidade e a raiz fresca.
Controlo de Infestantes
O período crítico é o primeiro mês, antes de a folhagem cobrir o solo. Sacha à mão nessa fase e, quando as guias começarem a alastrar, deixa de mexer na terra: a partir daí a própria planta abafa as infestantes. Uma cobertura de palha por baixo da folhagem mantém os frutos limpos e secos e reduz muito as perdas por podridão de contacto com o solo.
Controlo de Pragas
As pragas principais são o afídeo, a aranha vermelha, os tripes e a mosca branca, e nas plantas jovens as lesmas e os caracóis, que podem cortar uma planta acabada de nascer numa noite. Protege as plântulas com uma garrafa cortada ou uma barreira de cinza nas primeiras semanas. Contra afídeos e mosca branca aplica sabão potássico ao fim da tarde; contra a aranha vermelha, que aparece no calor seco, molha a folha de manhã e usa óleo de neem. Vigia também as brocas do caule na base da planta e as larvas de escaravelho nas raízes.
Doenças
O oídio é praticamente inevitável e reconhece-se pelo pó branco na face superior da folha, sobretudo a partir de meados do Verão. Trava-se com bicarbonato de potássio ou enxofre aplicado aos primeiros sinais, folhas velhas retiradas e boa circulação de ar. O míldio das cucurbitáceas dá manchas amarelas angulosas limitadas pelas nervuras e prospera na humidade do litoral. Rega ao pé da planta, nunca à noite e nunca sobre a folha. A antracnose e a podridão do colo aparecem em solo encharcado. Faz rotação de quatro anos e retira todos os restos da cultura no fim da estação, porque é neles que os fungos passam o Inverno.
Colheita
Colhe jovem e com frequência, de dois em dois dias em plena produção. Um pepino deixado a engrossar demais fica amargo, cheio de sementes duras e, pior, faz a planta parar de produzir. Corta sempre com tesoura deixando um pedaço de pedúnculo. O amargor concentra-se na ponta do pedúnculo e na pele, por isso descasca-o se tiveres dúvidas. Conta cerca de 40 a 50 dias desde o transplante até à primeira colheita desta variedade. A cor de referência é casca verde com polpa branca esverdeada, e é por ela que se avalia o ponto certo.